quinta-feira, 9 de abril de 2015

Cabeça em Versos


Minha cabeça está em versos,
confesso...
E se não me conter
entrego-me então...
Misturo-me a inspiração
faço de mim poesia.

Ely Monteiro

A cada amanhecer.



Faço uma oração
Entoando uma canção 
A cada amanhecer
Tenho a coragem de sonhar.

Pois sou como passáro
Me aproximo dos céus
Ultrapassando o véu
Toco os umbrais das portas
E de lá recebo a resposta
Fortaleço-me e encho-me
De fé no amanhecer desse dia


Ely Monteiro

Imagem: Google

Renovando Outono


Amanheceu, é mais um daqueles dias.
Outonais...
Que as folhas caem...
Folhas...
as roupas antigas.
Caindo das árvores.
E nesse amanhecer orvalhado...
Vem surgindo o novo dia
Observo da janela,
e vou me despindo.
Tirando a roupa velha
que vestia a alma.
E o orvalho que em
mim cai, me traz...
Tranquilidade e calma.
Renovando a mim
Que imperfeita sou
Mas não desisto,
Luto e insisto.
Quero somente vestir-me
Com roupas de bondade.
Eu não pertenço a maldade.
Por isso renovo-me
E me encho do bem.


Ely Monteiro
Imagem: Google

Do Ser Que Sou



Sou
Ser
Semelhante
Aquela faísca
Que de longe pisca
Sou
Coração
Coragem
Capaz
De brilhar um pouco mais
Quando emana de mim fé
Sou
Fagulha
Fulgaz
Flamejante
Que junto aos astros me torno gigante
Poeira cinza e pó dou a incredulidade nó
Sou
Mulher

Liberdade
Pela força divina sou coragem
E vejo o meu ser em transmutação
Meu corpo vira constelação
E a luz do divino...
Neste ser frágil...
É proteção.

Ely Monteiro

Gaveta de Palavras


Fecho os olhos...
Mentalmente vou abrindo 
as gavetas onde guardo palavras,
versos e letras.
Visto-me com essas folhas escritas,
confeccionadas pelas minhas mãos...
E encho-me da mesma emoção
dos dias em que foram costuradas
com os artigos da alma.

Ely Monteiro

Corpo Nu



Eu vi em um canto obscuro
um corpo estranho,
agachando-se ao chão...
Pavor, medo, fraqueza,
murmúrios e lamentações ...
De quem será este corpo?
Porque não levanta do chão?

Espantada perguntei
De onde vens e o que és?
Sou milhares de homens
e mulheres que por fraqueza
perdem a fé.

Cicatrizes e feridas
no labor de muitas
almas vão a tristeza...
Se entregando,
perdendo o amor,
esperança e calma.

E eu pedi ao corpo ...
Que ele me desse a mão
E por força divina...
Elevei aos céu oração.

Pedindo ao divino
mestre que o libertasse
das dores e escuridão...

Eu vi o corpo nu
vestindo roupas de fé.

O corpo que antes era frágil
ficou de pé.
Esboçando um sorriso
saiu da escuridão.
Cheio de força e ânimo
o corpo ergueu-se
do chão.

Ely Monteiro
Imagem Google

segunda-feira, 23 de março de 2015

De Quando Pranteei Por Aquela Flor



E eu pranteei pela flor,
eu jardineira sou e a caminho
do meu jardim,
vi ali;
plantada perto da estrada
uma flor emaranhada,
empoeirada,
flor machucada;
corri para ajudar,
aquela flor que estava
murcha,
mas a flor se indignou,
se lamentou, sentindo dor
e o regador não aceitou...
Plantada ali em terra seca
e, eu tentei remediar-lhe as feridas...
Eu vi a flor em revoltas
se lamentar do duro chão,
a mendigar por água e pão,
eu vi a flor se condoer
e ao véu da morte se entregando...
Eu vi a flor perdendo as pétalas,
eu vi a flor perdendo o néctar,
a flor que outrora exalava perfume
entregar-se ao canto fúnebre
e eu, segui o meu caminho...
Eu a jardineira sou,
segui o caminho a prantear
pela flor;
quem dera poder cuidá-la
como cuidei das minhas flores,
se ela aceitasse, teria o mesmo
olor do meu jardim que a cada dia germina...
Sorriria com a visita das borboletas,
aprenderia a derramar versos com papel e caneta...
Eu a jardineira sou,
compadeci a morte daquela flor
que desistiu da vida e ao véu da morte
entregou-se.


Ely Monteiro
Imagem: Google

terça-feira, 17 de março de 2015

A menina ainda mora em mim



Com o passar dos anos
Despertou a mulher que
em mim dormia...
Mas porém ao olhar pela janela
do tempo, ainda vejo a menina.
Que é inocente e sonhadora.
Sim reviro as gavetas da alma.
A menina ...
Ainda mora em mim.



Ely Monteiro
Imagem Google

Metamorfose em Flor



E quando ela viu
a semente virar lírio.
Pegou o regador,
se pôs a caminho.
Juntando-se ao lírio...
fizeram um ritual, metamorfose
fora do normal.
A jardineira virou flor, deixou
a saia rodada...
E o laço de fita...
Virou Açucena...
De pétalas bonitas...
Jardineira Açucena com
seu regador.
Vive junto ao lírio...
Exalando a fragrância...
Amor.


Ely Monteiro
Imagem Google

Palavras Engaioladas




Palavras engaioladas
são libertas pelas
mãos da poetisa e do poeta.
Palavras declamadas,
derramadas,
inspiradas,
por mentes pensantes
de imaginação gigante,
mágicos e malabaristas
de palavras,
seres que carregam
poesia na alma
e no coração
carregam a alma do mundo.

Ely Monteiro
Imagem: Google

E no amanhecer...



E no amanhecer...
Desse dia,
Divina cura
Desse ser imperfeito.
No amanhecer desse dia
A alma
Cria asas
Arrastando o corpo do chão...
Livrando-o das bagagens
Supérfluas complexas,
Iluminando e restaurando
Os seus passos,
Amenizando o cansaço,
Ensinando-lhe a Missão,
Guiando-lhe na direção
Dos voos onde encontra
O divino.
Aprendendo o ensino
Onde a maior cura
É a gratidão, o perdão e amor.

Ely Monteiro
Imagem Google

quinta-feira, 12 de março de 2015

A Mulher no Piano



A mulher no piano
Sentou-se...
E as mãos sobre as teclas tocaram...
Som pentagrama e ritmos.
Claves, sussurros e gritos.

Envolvidos ao ritmo e canção.
Foi liberta da escuridão.

A mulher no piano sentou-se...
E a magia do som entregou-se,
virou nota, pentagrama e som;

virou poesia, versos...
E inspiração.

Ely Monteiro
Imagem: Google

Doçuras



Regarei as tuas doçuras,
cuidarei em retribuí-las.
E nos nossos dias nunca
haverão de faltar esses...
Gestos.
Sorrisos.
Gemidos.
Do mais puro e doce amor.


Ely Monteiro
Imagem: Google

Jardim Interior



Desconfio que ele tenha
um jardim interior...
Acho que se alimenta de flor.
Pois ele tem perfume que exala
nas suas atitudes e palavras.
A beleza de quem carrega...
O amor e a humildade na alma.


Ely Monteiro
Imagem Google

quarta-feira, 4 de março de 2015

Marias V



Lá vem ela em passos lentos, cabisbaixa, esmorecida,
a Maria animada parece estar adormecida.
Ei Maria estás calada, tristeza assim eu nunca vi;
com a lata na cabeça,
lenta,
lágrimas
escorrem em ti...
O dinheiro lhe faltou?
Seu sapato descolou?
Maquiagem acabou?
Seu cabelo está caindo?
Alta estima reduzindo?
E a Maria ali calada a cabeça maneava...
Hoje sou poeira e pó,
a cabeça deu um nó,
tenho um milhão de problemas,
me  preocupo com a Iracema,
o meu neto está doente,
minha irmã está carente,
meu vizinho dependente,
e a Rita ficou rica
mas, não ajuda a Isabela que hoje mora
na favela...
A Rita se faz de indiferente,
e eu querendo ajudar toda essa gente...
Hoje sou poeira sou pó,
a cabeça deu um nó,
a lata ficou mais pesada,
me arrasto pela estrada,
ouço gemidos dessa gente
que caminha descontente,
me vejo de mãos atadas,
eu não posso fazer nada...
Maria se transforma  e no rosto de mulher
ilumina sua face se enchendo de muita fé,
Maria ajoelhou-se, fez ao céu uma oração,
vi ali um redemoinho, poeira levantar do chão,
eram anjos e arcanjos elevando a sua prece,
eu a vi sussurrando algo que dizia assim:
- Hoje sou poeira sou pó,
a cabeça deu um nó,
a missão estou cumprindo, com a lata vou seguindo,
mas te rogo criador, me arranque desse chão,
me unge com teu unguento, toca meu coração
e perdoa aos que não sabem por ti clamar,
mas te peço por clemência, ajuda a esta
nação que precisa do teu  cuidado e milagres
da tua mão...
E Maria se ergueu, sua lata ajeitou,
Enxugou as lágrimas, agora está mais forte,
sua fé a restaurou...
Vai Maria, vai cantando, ajudando toda essa gente.
Lata d’água na cabeça... Lá vai Maria!


Ely Monteiro
Imagem: Google