Eu era semente que debaixo da terra foi sufocada,
pelos pés fui pisada...
Eu era semente no escuro esperando, eu juro;
pela chuva de esperança, eu era a semente que na solidão às
vezes dançava, sozinha baixinho chorava,
gemia, queria ver o raiar do dia...
Eu era semente debaixo da terra enterrada sonhando com luz
querendo mostrar-me ao dia, querendo sentir o vento, abandonar
o sofrimento...
No cair de uma noite de chuva, relâmpagos e ventos vieram do
norte,
assustaram-me, me tornei forte, briguei com a terra,
desafiei a morte...
Na noite de tempestade tomei coragem, a terra não mais me
sufocou; de um rebento debaixo da terra saltei, deixei de ser semente... Virei flor!
Ely Monteiro
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